
Tradução de Álvaro Faleiros
1998 - Nankim Editorial
Da Morte - Odes Mínimas (Hilda Hilst)
A tradução que fiz dos poemas de Hilda Hilst data de 1995 e 1996, tendo sido publicada numa co-edição Brasil-Québec em 1997. No momento em que foram realizadas as traduções, eu não tinha ainda desenvolvido uma reflexão teórica sobre o ato de traduzir. Voltar ao texto traduzido com uma perspectiva crítica não foi tarefa fácil devido à enorme quantidade de escolhas à época que hoje seriam distintas. No conjunto, contudo, alguns poucos poemas pareceram-me resistir melhor ao tempo. Um deles é o poema “XXXVI”:
(Álvaro Faleiros)
Um peixe lilás e malva
Num claro cubo
De sons e água.
Assim te mostrarás.
Um perfil curvo.
Soma de asas.
Um quase escuro
Sobre as vidraças.
E fios e linhas
Trançando máscaras
Para a minha cara:
Rubra mandala
Para um perfil.
Então ajusto
Para o mergulho
Cores e máscara.
Sou eu. Um peixe rubro
E um outro lilás e malva.
Un poisson lilas et mauve
Dans un clair cube
De sons et d’eau.
Ainsi tu te montreras.
Un profil courbe.
Somme d’ailes.
Un presque obscur
Sur les vitrages.
Et fils et lignes
Tressant des masques
Pour mon visage :
Rouge mandala
Pour un profil.
Alors j’ajuste
Pour la plongée
Couleurs et masque.
C’est moi. Un poisson rouge
E un autre lilas et mauve.