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ISBN: ‎ 85-86372-08-0

Álvaro Faleiros (Poemas) | Luciana Capiberibe (Fotos)
Nankin Editorial

Este trabalho começou em 1994, ano em que Luciana Capiberibe viveu no Amapá, e tem como objetivo dar ao observador uma oportunidade de contato com a realidade do norte do Brasil.

Estado recente, criado com a promulgação da Constituição Federal em 1988, o Amapá situa-se na fronteira com a Guiana Francesa, em plena região Amazônica. A região é entrecortada por rios e igarapés, meio básico de comunicação e sustento, vias por onde chegam os produtos do sul do país.

A natureza do Amapá nos leva a um mundo por vezes paradisíaco, como, por exemplo, a área de proteção ambiental do Curiaú, localizada a apenas 13 quilômetros de Macapá, capital do estado.

No ano em que viveu no Amapá, Luciana teve a oportunidade de conviver com a gente e a natureza do lugar, de se deixar absorver por este mundo que pôde registrar de perto.

A partir dos registros fotográficos de Luciana, surgiram as imagens poéticas de Álvaro Faleiros. Neste encontro de olhares, sintetizam-se várias experiências, fruto de um diálogo que deseja, antes de mais nada, revelar e transcrever uma realidade na qual homem e meio ambiente vivem em intensa integração.

imagem 01.jpg

quando aberta pálpebra

singela

aprisiona-se o ouro

desemboca barco balsa boca seixo galho olho

pra ser cais guia astro fóssil raiz prisma osso

como a sola que se aprimora

no irregular da seta

como

aonorteBrasilequatorial@mapapomodoAmazonas.amapeando

imagem 02.jpg

norte

o corpo murmura

seus germes

bruscos os bustos

na desolação porém viva. plural

imagem 03.jpg

aprimora-se a desolação

bem no rumo sem rastro

onde o tráfego do fluxo

cessa.

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seiva

em que não-sorrisos

face

nem a pérola dos dentes

embriona. sustos

aurora

imagem 05.jpg

o tempo da árvore

persiste em seu cerne

na lança nodosa

como se quisesse água

como se aal...cançasse

imagem 06.jpg

os olhinhos mais pequenos

navegam o riso

— que seca a esperança trouxe —

quase eterno

n'água a hera

duma errância

âmago do homem. bordejo

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enfrestados nos troncos

os suplícios dos pântanos

luzem

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ancho o rio roda

come os pés moventes da margem

absorve os pós clareia

o aço que carrega as minas

ancho o rio pule

o homem com a língua incansável

de sua superfície

 

imagem 09.jpg

bate o pulso

    córrego nos

alvéolos das rochas

bate

no saliente da encosta

delineia     a talho

a soberba do ângulo

            que se afoba

 

imagem 10.jpg

o corpo insi

nua — que seca a esperança trouxe —

fogo do sol

— farol — borda

sinuosa da relva

(uma selva que não se deixa)

imagem 11.jpg

persistir é estar

no minério dos ossos

salvar o rio pelos olhos

pelos poros o sol

sob os pés a ampulheta

persistir é estar nos fósseis

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