
Catálogo da exposição no MACC Museu de Arte Contemporânea de Campinas "José Pancetti"
Lei Municipal n° 6565/91.
Edital - Prêmio Estímulo 1994.
P.A.R.Á.B.O.L.A. o percurso de uma paixão (1994)
Uma parábola pode significar a narração alegórica na qual um conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior.
Utilizando-nos da ideia de ascensão e queda sugerida pela forma geométrica da parábola para construir uma Parábola, alegoria tanto na forma - de disposição dos poemas e das imagens na obra - quanto no sentido, do caminho percorrido durante uma paixão, onde se destacam as idéias/sensações de sofrimento, obscuridade e culto.
Devido ao caráter mágico que evoca a paixão poderia se pensar no sentido religioso deste percurso através de uma possível
analogia entre o discurso e a trajetória de um peregrino.
O ser apaixonado encontra um fim a ser obstinadamente perseguido a ponto de perder-se e padecer nele e por ele, dando ao mesmo um lugar distinto, em outra dimensão.
P.A.R.Á.B.O.L.A.

a espátula,
toque cego,
segmento tosco,
visando em profundeza
a entrégua.

nas vias
o signo pulsátil do passo
catapulta-se em marcos rasgados.

flutuar na saga
brumosa da busca,
imersão nas imensidões
sombrias e opacas dos corpos.

no ápice posses,
adoecer-se do outro.
só pulsos fibrilam cúmplices
seu vasto e pouco.

”desbotar o bote de meu corpo
ao cindir arames
sobre o olvidado
nas turvas”

agora o rastro meus ossos;
antinatural-mente sucumbe
acuada
aos arpões poentes do súcubo.

cicatrizo-me sobre o aço
a escama que me ultrapassa
e desenha feridas no corte.

a musa morre e faz-se outra
enquanto estanca espatifado
o peito último
na turva daquele ato.